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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Te fodem, mas te ensinam algo.
Estávamos eu e meu irmão, no auge de nossa adolescência, na Alameda Ezequiel Dias em Belo Horizonte, trabalhando de camelôs. Meu pai sempre jogou responsabilidade pra cima da gente, com o intuito de nos transformar em homens. A gente não gostava muito disso, mas acabávamos sempre nos divertindo. Nessa época ainda usávamos muito o lema passado por outras gerações na família: - Somos nós, contra o resto!

Já sabíamos vender muito bem e nos considerávamos como garotos espertos, malandros, criados longe dos apartamentos.
Então certo dia um rapaz que comprava uns produtos conosco, ofereceu uma oportunidade única de adquirir 2 pares de tênis Nike novinhos!!!
Numa questão de segundos, nós dois nos lembramos que éramos os únicos da escola e da turma do bairro, que nunca tinha colocado um Nike no pé e sabíamos o que aquilo representava pra gente.

Como eu não podia deixar meu irmão sozinho na kombi, pedi a ele que acompanhasse o homem-oportunidade-de-termos-um-nike até a loja, com 80 reais (boa grana naquela época), para pegar nossos primeiros pares da Nike!

O Mike do meu irmão era SEMI-ORÍ!
Até aquele dia, o mais próximo que chegamos aos tênis de marca, foi um Mike do meu irmão e um Rebohok meu, ambos importados do Paraguai. E depois daquele dia, continuamos assim, pois meu irmão voltou com a maior cara de bobo, sem o dinheiro e sem os tênis.

Só depois de perceber que tomamos um baita cano, é que me lembrei dos detalhes da abordagem do rapaz e identifiquei trechos sem fundamento algum, quase que impossíveis de serem verdadeiros, mas era tarde demais, já havia sido ludibriado por aquele charlatão que prometia a cura para os males de nosso ego.

Nesse dia eu aprendi que um vendedor não deve vender tênis, ele tem que vender a cura para a alma em forma de tênis.
Pense nisso!