terça-feira, 24 de janeiro de 2012

    A Revolução da EqualYzação

    Muito se fala a respeito da Geração Y, uma definição sociológica que categoriza as pessoas nascidas entre 1978 e 1990*. Porém a maioria das abordagens são feitas sobre um conceito globalizado dessa geração, esquecendo-se que a geração surgiu antes do mundo globalizado, numa época de transição entre a Era Industrial e a Era da Informação, onde os países mais ricos tinham acesso às inovações e o resto do mundo esperava um enorme delay até conseguir usufruir destas inovações.

    Encontre o Y
    Tudo ficou mais acessível, mais fácil, mais interligado, mais indiscreto. Se exibíssemos um filme com as tecnologias comuns de hoje, a uma pessoa comum em 1980, com certeza essa pessoa pensaria ser aquele, um filme de ficção científica. Notebooks, microchips, smartphones, tablets, sensores de movimento, Mp3 players, GPS, INTERNET!!! Não há como uma criança nascida depois de 2000 imaginar como vivíamos até o início dos anos 90’.

    Reza a lenda que essa geração emergiu juntamente com o boom da tecnologia e da prosperidade econômica. Dessa forma, fica absolutamente equivocado de nossa parte, categorizar a geração brasileira da década de 80’ como Geração Y, já que nossas portas à importação dos avanços tecnológicos foram abertas apenas no início dos anos 90’ e mesmo assim, nossa economia rastejava de mal a pior.

    Podemos concluir então que houve um delay entre a Geração Y dos países desenvolvidos e a nossa Geração Y.

    Este atraso foi corrigido no decorrer dos anos 2000’ graças ao achatamento do mundo gerado pela globalização e o desenvolvimento da economia brasileira.
    Hoje em dia, o que acontece lá, é visto aqui no mesmo segundo e vice-versa. Porém temos uma falha em nossa estrutura social, que impede membros cronologicamente encaixados no Geração Y, de vivenciarem a experiência de ser um Y.


    A tecnologia e a informação, que fazem da Geração Y uma geração de pessoas ultracompetitivas, autodidatas, tecnológicas, interligadas, equalizada e confiante, não está acessível a todos por aqui.

    Ainda é preciso que nossos governantes e a própria sociedade REVOLUCIONE nossa estrutura social, para que mesmo os mais necessitados de segurança, saúde e educação, não sejam carentes de INFORMAÇÃO.
    O mundo atual, globalizado, na Era da Informação, cedendo o comando à Geração Y, criando a Geração Z e que tem seus ciclos econômicos e tecnológicos cada vez mais curtos, tem na INFORMAÇÃO, o poder de EQUALIZAÇÃO.
    A informação gera oportunidades, empreendedorismo, esperança.
    Precisamos oferecer aos excluídos brasileiros dessa Geração absurdamente inovadora, o acesso à informação, para que eles tenham a oportunidade de equalizar nossa desigualdade social por si mesmo, sem depender de instituições.

    A Geração Y vem revolucionando o mundo, de forma silenciosa e rápida e o melhor nome para essa revolução seria Revolução da EqualYzação.

    *Alguns autores consideram o intervalo entre 1980 e 2000.

    terça-feira, 17 de janeiro de 2012

    Trabalhar Para Aprender

    Ultimamente venho sendo chamado de louco, hippie e depressivo. O louco eu já estava acostumado, já os outros dois adjetivos são novíssimos.
    Tudo isso porque decidi colocar em prática o que sempre preguei.
    Quero trabalhar para aprender!
    Falar é fácil né autores de autoajuda?!? Eu quero ver é fazer!

    É nóis que tá!
    Pois é, decidi fazer!
    Talvez alguns leitores do Blog fiquem decepcionados por eu, um empreendedor desde os 12 anos, cismar de trabalhar como empregado. Estou fazendo o caminho inverso do qual todos os leitores de Robert Kiyosaki passam anos tentando tomar coragem para fazerem.
    O que posso dizer é que preciso dessa experiência como empreendedor, como investidor e como ser humano.

    Não há nada de hippie nisso! Tudo faz parte do processo para o mesmo objetivo, FICAR RICO!

    Já cansei de afirmar que todo empregado pode ser empreendedor dentro da empresa em que trabalha e agora provarei isso. Aguardem!
    Não sei por quanto tempo serei funcionário. Creio que enquanto conseguir somar aprendizado, desenvolvimento e retornos, continuarei. E como já afirmei aos meus empregadores, nada impede de no futuro, me tornar sócio do empreendimento.

    Tenho meus projetos, na verdade 2 projetos de negócios e 2 idéias, que ficarão numa pasta em meu HD por enquanto, pois nessa fase inicial, meu novo trabalho precisará que eu dê 150% do que consigo, portanto, FOCO!

    Do outro lado da mesa...

    Hoje rolou minha entrevista e posteriormente, minha contratação. Durante a entrevista, por várias vezes eu ri, muito porque é esquisito estar deste lado da mesa e também por achar tudo muito divertido.
    Sim, é divertidíssimo ter passado a vida inteira entrevistando e agora estar sentado numa sala, sendo entrevistado.
    - João, qual seu objetivo?
    - Ficar rico!
    - Quanto você quer ganhar?
    - Apenas um valor que me sustente, até eu começar a apresentar meus resultados e começar a ter um percentual nos lucros a partir das metas atingidas, que poderão ser pagos em dinheiro ou quotas de participação, sendo que prefiro a segunda opção (meu lado empreendedor não dorme!).

    (...)
    Meu pai veio me "dar o toque" que sendo eu tão inteligente, poderia prestar concurso público, pois ganharia dinheiro fácil...
    Talvez seria uma boa opção mesmo... se eu trabalhasse por dinheiro.
    Pois não seria nem um pouquinho divertido.

     "Como Ficar Rico Em 12 Lições" é o caraleô!!!
    Autor de autoajuda deve ganhar dinheiro sim, pois são bons no que fazem, escrever. Mas eu gostaria muito de vê-los fazendo o que escrevem. Pra isso é preciso colhões e muita competência.

    Querem se divertir com a vida profissional? Não trabalhem por dinheiro.

    Como eu não canso de dizer aos leitores do Blog, NA PRÁTICA, O BURACO É BEM MAIS EMBAIXO.

    Aguardem cenas dos próximos capítulos do agora "João Homem, O Empregado"!
    Lembrem-se: O processo é mais importante que o objetivo e esta parte do processo está alinhada ao meu objetivo.

    segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

    O Guia de Sobrevivência na Selva - Parte III (1,5 na verdade)

    Prezados leitores, me desculpem, pois esqueci de abordar uma parte muito importante da sobrevivência na selva financeira! E embora o post venha na terceira parte da série, seu lugar certo é entre a Primeira e a Segunda.
    Vamos falar aqui sobre Back To Basics.

    Depois que você sai de sua Zona de Conforto, ou seja, seu antigo trabalho, como descrevemos no primeiro post e antes de esfriar a cabeça e dar um tempo só para o presente e a diversão, como descrito no segundo post, você deverá cortar custos, ou seja, Back To Basics.

    Por favor, abram seus livros na página 2...
    Back To Basics

    As pessoas que trabalham podem ser divididas em 2 grupos distintos:
    1 - Os que trabalham para ganharem dinheiro e cobrirem as contas;
    2 - Os que trabalham para se desenvolverem e construírem algo, seja uma carreira de sucesso, um patrimônio invejável ou a cura para o câncer.

    Para se encaixar no segundo grupo, você não pode ter contas altas pra pagar, ou então deverá ter uma renda passiva que cubra tais contas.
    Pra quem não sabe o que é renda passiva, sugiro acessar ESTE LINK.
    Sim, eu sei que é difícil, mas quem disse que seria fácil?!

    Se você estiver no primeiro grupo quando terminar o processo do primeiro post, deverá correr pra se encaixar no segundo grupo e para isso, terá que engolir o orgulho com feijão regrado e eliminar tudo quanto é conta, a não ser que tenha alguma renda passiva que as cubra.

    Vamos ao exemplo de minha experiência...

    Passei pelo processo do primeiro post e pensei: PQP!!! Fudeu! E agora?!
    Daí avaliei minha situação e percebi que o bicho não era tão feio quanto parecia...

    Como havia voltado a morar com meus pais depois do fim de meu casamento, meu custo de vida baixou significativamente.
    Minhas economias foram pras Cucuia (Por que citamos Cucuia como um lugar, enquanto na verdade é ISSO?) com a política de não fazer retiradas da minha antiga empresa em 2011. Ou seja, eu não tinha nada guardado.
    Graças a Deus, a Robert Kiyosaki, ao Mauro Halfeld e ao Gustavo Cerbasi, eu possuo uma pequena, mas salvadora fonte de renda passiva e felizmente ela empata com meus custos atuais.
    Tive que fazer uns ajustes nas contas, como parar com minhas aulas de inglês, pegar um chip de celular pré-pago, deixando de ser um Ligador e controlar alguns gastos comuns na vida de um homem solteiro.

    Sendo assim, estou no seleto segundo grupo descrito acima! Uhhhuuuu!
    Mas como já disse, não se pode ter orgulho...
    Estou prestes a fazer meus 33 anos e voltei a morar com meus pais, sem pagar nenhuma conta. Meu carro é valente, mas é feio bagarai, velho, é menor que um Fiat 500 e arranca gargalhadas dos pedestres.
    Quando quero sair pra balada, ou dou um jeito de ganhar uma grana, ou então mendigo cortesias e Auxílio Baladeiro com os amigos.

    Enfim, essa parte, a das privações, costuma ser bem difícil, mas é indispensável ao processo.
    Seus gastos têm que no máximo, empatar com sua renda passiva. Se não for assim, você não conseguirá seguir a mesma trajetória que venho descrevendo nessa série.

    To be continued...

    Acesso à Parte 1 do Guia
    Acesso à Parte 2 do Guia

    quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

    O Guia de Sobrevivência na Selva - Parte II

    Prezados, dando sequência à série iniciada AQUI (Em minha opinião um dos melhores posts do Blog), venho abordar a respeito do que fazer quando se encontrar sozinho e perdido na selva financeira. Tanto que a pergunta chave do primeiro post é a base:
    Como manter a calma e a confiança quando só temos a nós mesmos em meio à selva financeira?

    Escolhi bem a imagem de SELVA TENEBROSA!
    Repetirei um parágrafo daquele post...
    "Durante toda a vida do Blog, recebi emails e comentários descrevendo situações onde as pessoas se sentiam insatisfeitas com sua vida profissional, se achavam capazes de realizar grandes feitos, tinham grandes ideias, mas não PODIAM abandonar TUDO e partirem para a selva do desconhecido."

    Agora estamos na selva... E aí, como sobreviver?!
    Sinceramente, eu não tinha a menor idéia!

    Minha confiança estava abalada, eu não tinha idéia genial nenhuma guardada, saí com uma dívida no cartão de crédito que não era minha (era da empresa) e tinha apenas uma miserinha que o Blog me abençoa mês a mês.
    Ah minhas economias!!! Kkkkkk Foi tudo embora nesse quase um ano trabalhando de graça.

    O lance é que por mais esquisito que isso possa parecer, eu estava tranquilo.
    Essa tranquilidade e uma absurda paz de espírito que também me inundou, fez com que minha confiança fosse voltando e com isso, chamem de Deus, Universo, Força Maior... Whatever... algo aconteceu!
    Foram acontecendo coisas inesperadas, tipo tudo dando certo! Daí pensei em Steve Jobs dizendo para seguirmos nossos instintos e mantermos a fome...
    Enfim, como sempre disse, CONTATOS VALEM MAIS QUE DINHEIRO e embora alguns tapinhas nas costas sempre se transformam num tapa na cara quando você desce um degrau, a maioria me deu força... e serviço!
    Vai por mim! Contatos valem muito mais!
    Comecei a ligar pra todos e dizer que precisava de serviços rápidos para levantar uma grana enquanto estivesse em minha fase de Esfriamento Absoluto de Cabeça. Deu certo! Sei qual o valor do meu orçamento mensal, daí buscava o valor semanal com unhas e dentes. Na maioria das vezes, conseguia o valor necessário na terça ou quarta-feira, daí ficava a toa nos outros dias,mas não por preguiça e sim para dar continuidade à próxima fase de nosso Guia...

    ESFRIAMENTO ABSOLUTO DE CABEÇA

    Não adianta você largar o trabalho que te encheu o saco e ele não sair de você. Daí a necessidade de passarmos por essa fase do processo.

    Mesmo se as idéias estiverem borbulhando na cabeça, devemos anotá-las e guardá-las para outra fase, pois nessa fase só devemos pensar em sobreviver e relaxar. Em poucas palavras...
    DÁ-SE UM JEITO DE FAZER A GRANA DA SOBREVIVÊNCIA E DEPOIS É SÓ DIVERSÃO! NADA DE PENSAR NO FUTURO!

    Precisamos desse tempo para nos encontrarmos. Sei que é um lance meio hippie, mas faz muita diferença. Não pule de uma pedra pra outra sem ter o devido descanso antes. Pense apenas em viver e se divertir.
    Quando a hora de mudar de fase chegar, você saberá!

    No meu caso tinha gente achando que tinha ficado louco, outros achando que tinha virado hippie e alguns poucos sabiam exatamente o que eu estava fazendo.

    Esfriei a cabeça, parei de me preocupar com os problemas de uma empresa que não era mais minha, refiz muitos contatos, analisei mais alguns malditos tapinhas nas costas, conheci muitas pessoas, enxerguei coisas novas, identifiquei experiências necessárias à minha bagagem e depois de muito me divertir, decidi qual seria o próximo passo.

    Confiança elevadíssima, cabeça tranquila e idéias brotando na farta vegetação em minha mente...
    A selva nem parecia mais tão perigosa.

    Pra finalizar este post, lembro de quando escrevi o post Samurais da Era Industrial. Eu tinha dúvidas se conseguiria fazer como os samurais e sobreviver...
    Não tenho mais! Sobrevivi, passei no teste, SOU UM SAMURAI!

    Ok! Até aqui concluímos que estávamos no caminho errado, tivemos o insight, nos jogamos na selva e mesmo achando que talvez morreríamos rápido, sobrevivemos. Depois esfriamos a cabeça e enfim nos sentimos mais preparados para enfrentar a selva.
    E agora, Qual o caminho certo para sair daqui?

    To be continued...

    sábado, 31 de dezembro de 2011

    Discurso de Steve Jobs em Stanford - Texto

    Meu último post do ano não é nem um pouco original, está em vários locais na web e após a morte de Steve Jobs, já foi visto pela maioria das pessoas.
    Eu assisti a esse discurso várias vezes, bem antes do cara morrer e durante minha saga, por várias vezes me peguei lendo este texto e interpretando cada frase. O texto que é a transcrição do discurso de Steve Jobs em Stanford me serviu como lanterna, cobertor e bússola.

    ...STAY HUNGRY, STAY FOOLISH.


    "Estou honrado de estar aqui, na formatura de uma das melhores universidades do mundo. Eu nunca me formei na universidade. Que a verdade seja dita, isso é o mais perto que eu já cheguei de uma cerimônia de formatura. Hoje, eu gostaria de contar a vocês três histórias da minha vida. E é isso. Nada demais. Apenas três histórias.

    A primeira história é sobre ligar os pontos.

    Eu abandonei o Reed College depois de seis meses, mas fiquei enrolando por mais 18 meses antes de realmente abandonar a escola. E por que eu a abandonei? Tudo começou antes de eu nascer. Minha mãe biológica era uma jovem universitária solteira que decidiu me dar para a adoção. Ela queria muito que eu fosse adotado por pessoas com curso superior. Tudo estava armado para que eu fosse adotado no nascimento por um advogado e sua esposa. Mas, quando eu apareci, eles decidiram que queriam mesmo uma menina.

    Então meus pais, que estavam em uma lista de espera, receberam uma ligação no meio da noite com uma pergunta: “Apareceu um garoto. Vocês o querem?” Eles disseram: “É claro.”

    Minha mãe biológica descobriu mais tarde que a minha mãe nunca tinha se formado na faculdade e que o meu pai nunca tinha completado o ensino médio. Ela se recusou a assinar os papéis da adoção. Ela só aceitou meses mais tarde quando os meus pais prometeram que algum dia eu iria para a faculdade. E, 17 anos mais tarde, eu fui para a faculdade. Mas, inocentemente escolhi uma faculdade que era quase tão cara quanto Stanford. E todas as economias dos meus pais, que eram da classe trabalhadora, estavam sendo usados para pagar as mensalidades. Depois de seis meses, eu não podia ver valor naquilo.

    Eu não tinha idéia do que queria fazer na minha vida e menos idéia ainda de como a universidade poderia me ajudar naquela escolha. E lá estava eu, gastando todo o dinheiro que meus pais tinham juntado durante toda a vida. E então decidi largar e acreditar que tudo ficaria ok.

    Foi muito assustador naquela época, mas olhando para trás foi uma das melhores decisões que já fiz. No minuto em que larguei, eu pude parar de assistir às matérias obrigatórias que não me interessavam e comecei a frequentar aquelas que pareciam interessantes. Não foi tudo assim romântico. Eu não tinha um quarto no dormitório e por isso eu dormia no chão do quarto de amigos. Eu recolhia garrafas de Coca-Cola para ganhar 5 centavos, com os quais eu comprava comida. Eu andava 11 quilômetros pela cidade todo domingo à noite para ter uma boa refeição no templo hare-krishna. Eu amava aquilo.

    Muito do que descobri naquela época, guiado pela minha curiosidade e intuição, mostrou-se mais tarde ser de uma importância sem preço. Vou dar um exemplo: o Reed College oferecia naquela época a melhor formação de caligrafia do país. Em todo o campus, cada poster e cada etiqueta de gaveta eram escritas com uma bela letra de mão. Como eu tinha largado o curso e não precisava frequentar as aulas normais, decidi assistir as aulas de caligrafia. Aprendi sobre fontes com serifa e sem serifa, sobre variar a quantidade de espaço entre diferentes combinações de letras, sobre o que torna uma tipografia boa. Aquilo era bonito, histórico e artisticamente sutil de uma maneira que a ciência não pode entender. E eu achei aquilo tudo fascinante.

    Nada daquilo tinha qualquer aplicação prática para a minha vida. Mas 10 anos mais tarde, quando estávamos criando o primeiro computador Macintosh, tudo voltou. E nós colocamos tudo aquilo no Mac. Foi o primeiro computador com tipografia bonita. Se eu nunca tivesse deixado aquele curso na faculdade, o Mac nunca teria tido as fontes múltiplas ou proporcionalmente espaçadas. E considerando que o Windows simplesmente copiou o Mac, é bem provável que nenhum computador as tivesse.

    Se eu nunca tivesse largado o curso, nunca teria frequentado essas aulas de caligrafia e os computadores poderiam não ter a maravilhosa caligrafia que eles têm. É claro que era impossível conectar esses fatos olhando para frente quando eu estava na faculdade. Mas aquilo ficou muito, muito claro olhando para trás 10 anos depois.

    De novo, você não consegue conectar os fatos olhando para frente. Você só os conecta quando olha para trás. Então tem que acreditar que, de alguma forma, eles vão se conectar no futuro. Você tem que acreditar em alguma coisa – sua garra, destino, vida, karma ou o que quer que seja. Essa maneira de encarar a vida nunca me decepcionou e tem feito toda a diferença para mim.

    Minha segunda história é sobre amor e perda.

    Eu tive sorte porque descobri bem cedo o que queria fazer na minha vida. Woz e eu começamos a Apple na garagem dos meus pais quando eu tinha 20 anos. Trabalhamos duro e, em 10 anos, a Apple se transformou em uma empresa de 2 bilhões de dólares e mais de 4 mil empregados. Um ano antes, tínhamos acabado de lançar nossa maior criação — o Macintosh — e eu tinha 30 anos.

    E aí fui demitido. Como é possível ser demitido da empresa que você criou? Bem, quando a Apple cresceu, contratamos alguém para dirigir a companhia. No primeiro ano, tudo deu certo, mas com o tempo nossas visões de futuro começaram a divergir. Quando isso aconteceu, o conselho de diretores ficou do lado dele. O que tinha sido o foco de toda a minha vida adulta tinha ido embora e isso foi devastador. Fiquei sem saber o que fazer por alguns meses.

    Senti que tinha decepcionado a geração anterior de empreendedores. Que tinha deixado cair o bastão no momento em que ele estava sendo passado para mim. Eu encontrei David Peckard e Bob Noyce e tentei me desculpar por ter estragado tudo daquela maneira. Foi um fracasso público e eu até mesmo pensei em deixar o Vale [do Silício].

    Mas, lentamente, eu comecei a me dar conta de que eu ainda amava o que fazia. Foi quando decidi começar de novo. Não enxerguei isso na época, mas ser demitido da Apple foi a melhor coisa que podia ter acontecido para mim. O peso de ser bem sucedido foi substituído pela leveza de ser de novo um iniciante, com menos certezas sobre tudo. Isso me deu liberdade para começar um dos períodos mais criativos da minha vida. Durante os cinco anos seguintes, criei uma companhia chamada NeXT, outra companhia chamada Pixar e me apaixonei por uma mulher maravilhosa que se tornou minha esposa.

    A Pixar fez o primeiro filme animado por computador, Toy Story, e é o estúdio de animação mais bem sucedido do mundo. Em uma inacreditável guinada de eventos, a Apple comprou a NeXT, eu voltei para a empresa e a tecnologia que desenvolvemos nela está no coração do atual renascimento da Apple.

    E Lorene e eu temos uma família maravilhosa. Tenho certeza de que nada disso teria acontecido se eu não tivesse sido demitido da Apple.

    Foi um remédio horrível, mas eu entendo que o paciente precisava. Às vezes, a vida bate com um tijolo na sua cabeça. Não perca a fé. Estou convencido de que a única coisa que me permitiu seguir adiante foi o meu amor pelo que fazia. Você tem que descobrir o que você ama. Isso é verdadeiro tanto para o seu trabalho quanto para com as pessoas que você ama.

    Seu trabalho vai preencher uma parte grande da sua vida, e a única maneira de ficar realmente satisfeito é fazer o que você acredita ser um ótimo trabalho. E a única maneira de fazer um excelente trabalho é amar o que você faz.

    Se você ainda não encontrou o que é, continue procurando. Não sossegue. Assim como todos os assuntos do coração, você saberá quando encontrar. E, como em qualquer grande relacionamento, só fica melhor e melhor à medida que os anos passam. Então continue procurando até você achar. Não sossegue.

    Minha terceira história é sobre morte.

    Quando eu tinha 17 anos, li uma frase que era algo assim: “Se você viver cada dia como se fosse o último, um dia ele realmente será o último.” Aquilo me impressionou, e desde então, nos últimos 33 anos, eu olho para mim mesmo no espelho toda manhã e pergunto: “Se hoje fosse o meu último dia, eu gostaria de fazer o que farei hoje?” E se a resposta é “não” por muitos dias seguidos, sei que preciso mudar alguma coisa.

    Lembrar que estarei morto em breve é a ferramenta mais importante que já encontrei para me ajudar a tomar grandes decisões. Porque quase tudo — expectativas externas, orgulho, medo de passar vergonha ou falhar — caem diante da morte, deixando apenas o que é apenas importante. Não há razão para não seguir o seu coração.

    Lembrar que você vai morrer é a melhor maneira que eu conheço para evitar a armadilha de pensar que você tem algo a perder. Você já está nu. Não há razão para não seguir seu coração.

    Há um ano, eu fui diagnosticado com câncer. Era 7h30 da manhã e eu tinha uma imagem que mostrava claramente um tumor no pâncreas. Eu nem sabia o que era um pâncreas.

    Os médicos me disseram que aquilo era certamente um tipo de câncer incurável, e que eu não deveria esperar viver mais de três a seis semanas. Meu médico me aconselhou a ir para casa e arrumar minhas coisas — que é o código dos médicos para “preparar para morrer”. Significa tentar dizer às suas crianças em alguns meses tudo aquilo que você pensou ter os próximos 10 anos para dizer. Significa dizer seu adeus.

    Eu vivi com aquele diagnóstico o dia inteiro. Depois, à tarde, eu fiz uma biópsia, em que eles enfiaram um endoscópio pela minha garganta abaixo, através do meu estômago e pelos intestinos. Colocaram uma agulha no meu pâncreas e tiraram algumas células do tumor. Eu estava sedado, mas minha mulher, que estava lá, contou que quando os médicos viram as células em um microscópio, começaram a chorar. Era uma forma muito rara de câncer pancreático que podia ser curada com cirurgia. Eu operei e estou bem.

    Isso foi o mais perto que eu estive de encarar a morte e eu espero que seja o mais perto que vou ficar pelas próximas décadas. Tendo passado por isso, posso agora dizer a vocês, com um pouco mais de certeza do que quando a morte era um conceito apenas abstrato: ninguém quer morrer. Até mesmo as pessoas que querem ir para o céu não querem morrer para chegar lá.

    Ainda assim, a morte é o destino que todos nós compartilhamos. Ninguém nunca conseguiu escapar. E assim é como deve ser, porque a morte é muito provavelmente a principal invenção da vida. É o agente de mudança da vida. Ela limpa o velho para abrir caminho para o novo. Nesse momento, o novo é você. Mas algum dia, não muito distante, você gradualmente se tornará um velho e será varrido. Desculpa ser tão dramático, mas isso é a verdade.

    O seu tempo é limitado, então não o gaste vivendo a vida de um outro alguém.

    Não fique preso pelos dogmas, que é viver com os resultados da vida de outras pessoas.

    Não deixe que o barulho da opinião dos outros cale a sua própria voz interior.

    E o mais importante: tenha coragem de seguir o seu próprio coração e a sua intuição. Eles de alguma maneira já sabem o que você realmente quer se tornar. Todo o resto é secundário.

    Quando eu era pequeno, uma das bíblias da minha geração era o Whole Earth Catalog. Foi criado por um sujeito chamado Stewart Brand em Menlo Park, não muito longe daqui. Ele o trouxe à vida com seu toque poético. Isso foi no final dos anos 60, antes dos computadores e dos programas de paginação. Então tudo era feito com máquinas de escrever, tesouras e câmeras Polaroid.

    Era como o Google em forma de livro, 35 anos antes de o Google aparecer. Era idealista e cheio de boas ferramentas e noções. Stewart e sua equipe publicaram várias edições de Whole Earth Catalog e, quando ele já tinha cumprido sua missão, eles lançaram uma edição final. Isso foi em meados de 70 e eu tinha a idade de vocês.

    Na contracapa havia uma fotografia de uma estrada de interior ensolarada, daquele tipo onde você poderia se achar pedindo carona se fosse aventureiro. Abaixo, estavam as palavras:

    “Continue com fome, continue bobo.”

    Foi a mensagem de despedida deles. Continue com fome. Continue bobo. E eu sempre desejei isso para mim mesmo. E agora, quando vocês se formam e começam de novo, eu desejo isso para vocês. Continuem com fome. Continuem bobos.

    Obrigado."


    UM FELIZ 2012 À TODOS!
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    Sabedoria

    "Sabedoria é a capacidade de prever as consequências, a longo prazo, de ações atuais. É a disposição de sacrificar ganhos a curto prazo em favor de benefícios a longo prazo. É a habilidade de controlar o que é controlável e de não se afligir com o que não o é." - RUSSELL L. ACKOFF

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