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terça-feira, 5 de agosto de 2008

Introdução a Valuation - Parte 1


Encontrei este texto na internet e decidi colocar aqui. É um pouco longo, mas vale muito a pena ler!
Fonte: http://www.fool.com/school/introductiontovaluation.htm
Tradução e adaptação de SER-

Introdução:

“Valuation” é o primeiro passo para se fazer um investimento inteligente. Quando um investidor procura saber o valor de suas ações baseado em fundamentos, poderá tomar decisões mais acertadas de quais ações comprar e vender. Sem um “valor fundamental”, um investidor fica a deriva na maré aleatória de preços do curto-prazo e, conseqüentemente, de sentimentos ruins.

As instituições financeiras têm dito que a “valuation” deve ser efetuada apenas por “pessoal especializado”. Supostamente, apenas os analistas das corretoras, que estão operando no lado da venda, possuem experiência e habilidades necessárias para comprar e vender num mercado confuso e fazer previsões sobre preços futuros. A “valuation” não é uma ciência obscura, que só pode ser praticada por pessoas com MBA e analistas credenciados. Ela requer apenas noções básicas de matemática e capacidade de discernimento, qualquer pessoa pode estimar valores com a mesma qualidade que os melhores analistas.

Antes, precisamos ter noção do que é uma ação. Uma ação não é uma entidade mágica que sobe e desce ao sabor da maré; ao contrário, ela representa um título de propriedade de uma companhia negociada publicamente. Se a companhia XYZ possui um milhão de ações e você possui uma, significa que você é dono de um milionésimo da companhia.

Por quê razão alguém iria querer pagar um preço por esse milionésimo? Na verdade, existem algumas razões para isso. Sempre haverá alguém que quer seu milionésimo porquê deseja ter um milionésimo dos votos na assembléia dos acionistas da empresa. (NT- Para ações ordinárias). Pode parecer pouco, mas se você conseguir juntar uns cinco milhões de amigos, de uma hora para outra, passa a ter o controle sobre a companhia e pode fazer várias coisas, como pagar dividendos gordos ou efetuar fusões com outras companhias.

Companhias compram ações de outras companhias por várias razões. Pode ser para fazer um “takeover”, em que uma companhia compra todas as ações da outra, ou uma “joint venture”, em que uma companhia compra apenas as ações suficientes para ganhar um assento na diretoria. Seja qual for o motivo, as ações estão sempre à venda. O preço de uma ação indica o preço de toda uma companhia a venda durante sete horas e meia ao dia, cinco dias por semana. São essas informações que permitem que outras companhias, públicas ou privadas, tomem decisões inteligentes em relação ao negócio com informações claras e concisas de quanto custaria para eles adquirir ações de outras companhias.

Uma ação é um passaporte para as vendas, lucros, fluxo de caixa, Patrimônio Líquido – e todos outros ingredientes da salada que compõem uma companhia. Mas, para o investidor individual isso significa apenas preocupar-se de que maneira esses números poderão se traduzir em dividendos. Uma ação é um título de propriedade que permite a você receber uma parcela dos dividendos para sempre. Mesmo que a companhia não pague dividendos, sempre existirá a possibilidade de pagar algum no futuro. (NT - no Brasil, por lei, as companhias são obrigadas a pagar 25% do lucro na forma de dividendos).

Finalmente, a companhia pode recomprar suas próprias ações usando seu excesso de caixa ao invés de pagar dividendos para os acionistas. Isso faz com que o preço do papel suba efetivamente já que a própria empresa atua como compradora (aumentando a demanda) e aumenta o lucro por ação (EPS) sobre as ações remanescentes, já que diminui o número de ações em circulação. Companhias maduras, com fluxo de caixa positivo tendem a ser mais liberais nos dias de hoje na recompra de ações do que com dividendos, porquê com dividendos os acionistas serão taxados duas vezes.

Esta série de artigos irá guiar você nas principais categorias de avaliação Discutiremos as avaliações baseadas em lucros, vendas, fluxo de caixa, Patrimônio Líquido, dividendos e em número de assinantes.

Avaliações baseadas no Lucro

Lucros por ação e o Índice P/L

A forma mais comum de se avaliar uma companhia é através dos lucros. O lucro, ou lucro líquido, é o dinheiro em potencial que sobra depois da companhia pagar toda suas contas. Para comparar “maçâs-com-maçãs”, a maiorias das pessoas que procuram por lucros os avaliam na forma de lucro por ação (EPS).

Para chegar ao valor de lucro por ação simplesmente divida o lucro da companhia pelo número de ações existentes; assim, se a companhia XYZ possui um milhão de ações e conseguiu lucrar um milhão de dólares nos últimos 12 meses, ela possui um lucro por ação passado (“trailing” EPS) de $1,00. (É chamado de “trailing” EPS porquê considera os últimos quatro trimestres publicados – os três trimestres anteriores ao trimestre mais recentemente publicado).

$1.000.000

-------------- = $1,00 em lucros por ação (EPS)
1.000.000 ações
Os lucros por ação sozinhos não têm qualquer significado. A maioria dos investidores procura olhar para o lucro por ação em relação ao seu preço, empregando o Índice Preço/Lucro (P/L). O índice P/L pega o preço da ação e o divide pelo lucro por ação dos quarto últimos trimestres. Por exemplo, se a nossa companhia XYZ estivesse sendo vendida por $15 por ação teria um P/L de 15.


preço por ação de $15
---------------------------= P/L 15
$1.00 em EPS
O P/L é o Cálice Sagrado?

Existe uma grande quantidade de investidores que param de analisar um papel depois de descobrir seu índice P/L. Sem nem querer olhar para qualquer outra forma de “valuation”, esse grupo de investidores pulam fora cegamente, armados apenas com um único índice, ignorando totalmente a vastidão de formas que constituem a análise fundamentalista. Popularizado por Ben Graham (que usa uma série de outras técnicas além do P/L baixo para encontrar valor), o índice P/L tem sido simplificado demais por aqueles que olham apenas para esse número. Esse tipo de investidor procura por ações de “baixo P/L”, que são companhias que possuem um preço muito baixo em relação aos seus lucros passados.

Também chamado de “múltiplo”, o P/L tem sido mais comumente empregado em comparação com a taxa de crescimento de lucros por ação. Assumimos que uma companhia está próxima de seu preço justo quando o índice P/L é igual à taxa de crescimento de lucros por ação.

No exemplo da Companhia XYZ, descobrimos que a companhia tem conseguido fazer crescer seus lucros a uma taxa de 13% ao ano, sugerindo que a um P/L de 15, a companhia esteja muito próxima de seu preço justo. Bons investidores acreditam que o Índice P/L só faz sentido quando empregado comparativamente com a taxa de crescimento de lucros. Se uma companhia perdeu dinheiro no ultimo ano, ou sofreu um decréscimo em lucros por ação nos últimos 12 meses, o P/L se torna menos útil do que outros métodos de avaliação que falaremos mais tarde nessa série. No final, o índice P/L não deve ser visto isoladamente, mas sim dentro do contexto do crescimento para evitar que venhamos incorrer em erros.

Ações com baixo P/L são realmente baratas?

Com o advento de filtros computadorizados (“screening”) e de bancos de dados de ações, encontrar ações com P/L baixo tem sido cada vez mais difícil. Quando Ben Graham formulou muitos dos seus princípios de investimento, as pessoas tinham que procurar manualmente por centenas de tabelas de ações para localizar papéis com P/Ls baixos. Hoje em dia, tudo que você tem que fazer é apertar alguns botões de um banco de dados on-line para obter uma lista do tamanho dos seus braços.

Os filtros aumentaram a eficiência do Mercado. Hoje em dia, quando você vê uma ação com P/L baixo, mais do que nunca, elas devem estar merecendo um P/L baixo porquê suas perspectivas futuras são questionáveis. Um investidor inteligente avalia uma companhia baseado nas suas perspectivas futuras e não na sua performance passada, ações com baixos P/Ls normalmente possuem nuvens negras circulando seu futuro. Isso não quer dizer que você não consiga encontrar ações espetaculares com P/L baixo que o Mercado não reconheceu ainda –você pode, e acontece toda hora. O que você necessita é confirmar o valor existente nessas companhias aplicando outras técnicas de avaliação.

O PEG e o YPEG

O uso mais comum do P/L é o PEG, (P/E and growth ratio – P/L dividido pela taxa de crescimento de lucros) e o YPEG, (o P/L estimado para o próximo período dividido pela taxa de crescimento de lucros). Ao invés de tentarmos reinventar a roda, como existe uma série de artigos maravilhosos no reino de Fool, apenas direcionarei vocês para eles passando rapidamente sobre o assunto. O artigo completo sobre o e o YPEG, foi chamado de”Índice Fool."

O PEG simplesmente pega a taxa estimada de crescimento de lucro ao ano e compara com o preço da ação no mercado. Uma vez que é o lucro futuro que faz uma companhia ter valor para um comprador ou acionista, procurando por dividendos ou fluxo de caixa livre para recompra de ações no mercado, o resultado acaba sendo intuitivo. Olhar apenas para o P/L passado é como dirigir olhando para o retrovisor.

Se é esperado que uma companhia venha a crescer 10% ao ano pelos próximos 2 anos e ela possui um P/L de 10, então terá um PEG de 1,0.

P/L de 10
---------------------- = PEG 1,0
Crescimento de 10% em EPS
Um PEG de 1,0 sugere que a companhia esteja avaliada justamente. Se a companhia no exemplo acima apresentasse um P/L de 5, mas fosse esperada crescer 10% ao ano, teria um PEG de 0,5 – indicando que estaria sendo vendida pela metade (50%) do seu preço justo. Se a companhia apresentasse um PEG de 2,0, estaria sendo vendida pelo dobro do que vale, considerando-se que o P/L deva ser igual a taxa de crescimento de lucro por ação (EPS).

Enquanto o PEG é mais empregado em companhias de crescimento (“growth companies”), o YPEG é mais utilizado para avaliar companhias grandes, e bem estabelecidas. O YPEG utiliza as mesmas premissas do PEG, mas procura em números diferentes. Como a maioria das corretoras estima a taxa de crescimento para 5 anos, ele é uma estima do múltiplo justo para uma companhia no futuro. Assim, se o P/L atual de uma companhia é de 10, mas os analistas esperam que a companhia cresça 20% nos próximos 5 anos, YPEG é igual a 0.5 e a companhia parece estar barata de acordo com essa medida. Como de praxe, devemos olhar o PEG e o YPEG juntos de outras medidas de valor e não considerá-lo como uma máquina mágica de fazer dinheiro.

Múltiplos
Embora o PEG e o YPEG sejam úteis, ambos supõem que o P/L deva se igualar à taxa de crescimento de lucros por ação. Infelizmente, no mundo real não é sempre assim que as coisas acontecem. Muitos apenas olham para a projeção de lucros futuros e estimam que múltiplo justo alguém estaria disposto a pagar pelo papel. Por exemplo, se a companhia XYZ fosse vendida historicamente a 10x seus lucros e estivesse sendo vendida atualmente por 7x porquê ficou abaixo das estimativas dos analistas naquele único trimestre, seria razoável comprar a ação com a expectativa que ela voltasse ao seu múltiplo histórico de 10x, se a sua queda de lucros naquele trimestre fosse apenas uma anomalia de curto prazo.

Quando projetamos múltiplos justos para uma companhia baseado em lucros futuros estimados, começamos a fazer previsões daquilo que pode acontecer no futuro. Embora possamos pesquisar extensamente, de modo a que o risco de estarmos errados seja mínimo, ele sempre existirá. Se apenas uma das hipóteses que fizermos estiver errada, o papel acabará não indo para o lugar que esperávamos que ele fosse. Dito isso, se a maioria dos investidores e companhias lá fora estiverem empregando a mesma estratégia, fazendo suas próprias estimativas também, na pior das hipóteses não estaremos sozinhos.

Uma modificação na abordagem do múltiplo é determinarmos a relação entre o P/L da companhia e o P/L médio do Ibovespa. Se a companhia XYZ tem sido comercializada e 150% do Ibovespa, e o Ibovespa está atualmente em 10, muitos investidores acreditam que a companhia deveria estar sendo comercializada a um P/L justo de 15, assumindo que nada mudou. Essa relação histórica requer alguns bancos de dados e planilhas sofisticadas que não são largamente utilizadas por investidores individuais, embora muitos administradores de recursos empreguem essa abordagem. Continua...

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