BREAKING NEWS

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Introdução a Valuation - Parte 3


Continuando...

Avaliação baseada em Patrimônio Líquido

O que é Patrimônio Líquido?

Patrimônio Líquido é uma forma engraçada de dizer “tudo que está lá”. Não importa se são coisas tangíveis como caixa, ativos circulantes, capital de giro, dinheiro dos acionistas, ou qualidades intangíveis como administração, marca; Patrimônio Líquido é tudo que uma companhia possui caso ela parasse de vender seus produtos e saísse do negócio amanhã.

Tradicionalmente os investidores que procuram comprar companhias com uma quantidade expressiva de patrimônio Líquido como garantia de valor são um grupo de paranóicos que estão procurando ter algo para receber caso a companhia vier a ser liquidada. Na era do consumo em massa dominado pela televisão ajudaram aos intangíveis como nomes e marcas criarem fossas quase impenetráveis ao redor do negócio, os investidores contemporâneos começaram a esticar os limites do patrimônio Líquido enfatizando as qualidades dos valores não tangíveis e concretos, mas que são absolutamente vitais para o futuro da companhia.

O Balanço Patrimonial: Caixa e Capital de Giro

Você gostaria de compra um dólar de ativos por um dólar de valor de mercado? Ben Graham gostava. Ele desenvolveu um dos filtros mais famosos para procurar por companhias que tinham mais dinheiro na mão do que valor de mercado. Primeiramente, Graham procurava pelo caixa, equivalentes e investimentos de curto-prazo da companhia. Dividindo esse número pelo número de ações fornecia a ele uma idéia de quanto do preço da ação é constituído de dinheiro que a companhia possuía nas mãos. Comprar uma companhia com bastante dinheiro em caixa pode trazer uma série de benefícios – dinheiro pode desenvolver produtos, fazer aquisições estratégicas e pagar executivos de grosso calibre. Mesmo uma companhia que pareça ter perspectivas futuras limitadas pode ser bastante promissora se tiver bastante dinheiro nas mãos.

Outra medida de valor é o Capital de Giro que a companhia possui em relação a sua capitalização de mercado. Capital de Giro é o que sobra depois que você subtrai os Passivos circulantes dos Ativos Circulantes. Capital de Giro são os fundos que uma companhia possuí para conduzir seus negócios do dia-a-dia. Se você conseguir comprar uma companhia por um preço próximo do seu capital de giro, você terá comprado um dólar de ativos por um dólar de preço de mercado – não é um mau negócio também. Assim como dinheiro pode comprar várias coisas boas, o capital de giro também pode.

Patrimônio Líquido e Valor Patrimonial

O Patrimônio Líquido é uma convenção contábil que inclui os ativos líquidos (NT – Ativos livre de passivos) de uma companhia como dinheiro, ativos permanentes como imóveis, e também os lucros retidos. Isso é uma medida global de quanto valeriam os ativos da companhia caso ela fosse liquidada. Não importa se esses ativos são prédios, escrivaninhas, camisetas velhas no estoque ou descargas de vaso sanitário no almoxarifado.

O Patrimônio Líquido ajuda a avaliar uma companhia quando você descobre seu valor patrimonial. O valor patrimonial de uma companhia pode ser encontrado na sua contabilidade. Para calcular o valor patrimonial por ação, pegue o Patrimônio Líquido da companhia e divida-o pelo número de ações existentes. Se agora você dividir o preço da ação pelo seu valor patrimonial por ação, encontrará o Índice Preço-Valor Patrimonial.

Valor Patrimonial é um conceito claro. Quanto mais próximo você comprar alguma coisa do seu valor patrimonial, melhor para você. Nos dias de hoje, o valor patrimonial é uma coisa que deve ser vista com cuidado, porquê a maioria das companhias avaliam seus estoques, e os efeitos da inflação e deflação sobre suas propriedades de acordo com as deduções que pretendem obter no imposto de renda. Embora para companhias financeiras como bancos, financeiras, corretoras, empresas de cartões de crédito, o valor patrimonial ainda seja bastante relevante. Por exemplo, no setor bancário as aquisições são sempre efetuadas em cima de valor patrimonial, com os depósitos e empréstimos sendo tomados sobre algo entre 1,7 a 2,0 do valor patrimonial.

Outro uso do Patrimônio Líquido é para determinarmos o Retorno sobre o Patrimônio Líquido, ou ROE. Retorno sobre o Patrimônio Líquido é uma medida de quanto, em termos de lucro, uma companhia consegue gerar em quarto trimestres comparado com seu Patrimônio Líquido. O ROE é medido em termos percentuais. Por exemplo, se a companhia XYZ fez um milhão de dólares de lucro no ano passado e possui um Patrimônio Líquido de dez milhões, então ela possui um ROE de 10%. Alguns empregam o ROE como um filtro para encontrar companhias que podem gerar grandes lucros sem muito investimento de capital. A COCA-COLA (NYSE: KO), por exemplo, não precisa de muito investimento para atualizar seu equipamento- O processo para fabricar o seu xarope não se modifica muito com o avanço tecnológico. Na verdade, companhias com altos ROEs são tão atrativas para alguns investidores que alguns deles farão uma média do ROE e com o crescimento esperado dos lucros para encontrar um múltiplo justo. É esse motivo pelo qual companhias farmacêuticas com a MERCK (NYSE: MRK) conseguem crescer 10% ou mais a cada ano e mesmo assim são comercializadas consistentemente acima de 20x seus lucros.

Intangíveis

A marca é o elemento mais intangível dentro de uma companhia, mas talvez seja um dos mais importantes para sua a sobrevivência no futuro. Se todos os MCDONALD'S (NYSE:MCD) do mundo desaparecessem amanhã, a companhia poderia simplesmente pegar alguns empréstimos e reconstruir seu império e voltar a ser uma potência mundial em alguns meses. O que permitiria ao McDonald's fazer isso? É a sua presença na nossa mente coletiva – o fato é que se dez pessoas fossem obrigadas a dizer o nome de uma lanchonete “fast food”, nove iriam dizer McDonald's, sem exitar. A companhia possui uma marca muito conhecida e isso agrega um tremendo valor a ela, apesar de não poder ser quantificado.

Alguns investidores se preocupam com marcas, particularmente em indústrias emergentes que tradicionalmente sobreviveram sem elas. A genialidade da INTEL (Nasdaq: INTC) e da MICROSOFT (Nasdaq: MSFT) é que conseguiram transformar o nome de suas companhias em marcas que dão a elas uma tremenda vantagem sobre a concorrência. A marca é também transferível para outros produtos – a razão pela qual a Microsoft pode se tornar uma potência em “online banking”, por exemplo, é porquê tem um enorme patrimônio em marcas de aplicativos e sistema operacional. É como se o leite moça fosse entrar no mercado de doce de leite. Seria necessária muito pouca propaganda para o produto crescer.

As marcas necessitam de uma administração competente para poder liberar valor. Se uma marca sofre por causa de incompetência administrativa, como foi o caso da AMERICAN EXPRESS (NYSE: AXP) no começo da década de 90, ou da Coca-Cola no início da década de 80, então muitas pessoas começam a duvidar se o valor da marca se mantém intacto. Ironicamente, as maiores oportunidades de compra de marcas ocorrem quando as pessoas param de acreditar nelas por alguns momentos. Marcas esquecidas normalmente conseguem sobreviver aos traumas de curto-prazo.

Os intangíveis podem significar também que as ações de uma determinada companhia conseguem ser comercializadas a um prêmio extra sobre a sua taxa de crescimento. Uma companhia com margens gordas, com um “market share” dominante, batendo consistentemente as previsões dos analistas e um balanço patrimonial sem dívidas pode comercializar a um múltiplo mais alto que a sua taxa de crescimento poderia sugerir. Embora os intangíveis sejam difíceis de quantificar, não quer dizer que eles não tenham um grande efeito sobre o preço da ação da companhia. O único problema com companhias que possuam muitos ativos intangíveis é que qualquer sinal de problemas poderá fazer com que todo o prêmio venha a desaparecer.

A Companhia em pedaços

Finalmente uma companhia pode valer mais aos pedaços do que inteira. Isso pode acontecer porquê existem ativos escondidos que a maioria das pessoas desconhece, como a aquisição de terrenos antes de 1980, que foram mantidos nos livros a preço de custo, apesar da dramática avaliação dos terrenos da vizinhança, ou simplesmente porquê uma companhia está muito diversificada e não consegue produzir qualquer sinergia. A SEARS (NYSE: S), a DEAN WITTER DISCOVER (NYSE: DWD) e a ALLSTATE (NYSE: ALL) valem muito mais como companhias independentes do que quando estiveram juntas. Mantendo um olhar clínico em companhias que podem ser divididas e que valem mais separadas do que juntas faz sentido, principalmente nos dias de hoje em que vários conglomerados da década de 70 estão sendo partilhados.



Avaliações baseadas em Renda

O dividend yield é o percentual do preço da ação da companhia que é pago na forma de dividendos durante o ano. Por exemplo, se uma companhia paga $1,00 em dividendos por trimestre e está sendo comercializada a $100, ela possui um “dividend yield” de 4%. Quatro trimestre pagando $1 dão $4, dividido por $100 resulta em 4%.

O “Yield” produz um efeito curioso sobre as ações de uma companhia. Muitos investidores que desejam renda começam a comprar determinado papel quando ele atinge patamares acima de um determinado número mágico. A performance histórica da Abordagem de dividendos do Dow foi confirmada pelo trabalho de Jim O'Shaugnessey que mostra que uma carteira constituída de ações de grande capitalização, com dividendos acima da média supera o mercado através dos tempos.

Algumas pessoas como Geraldine Weiss, investem em ações baseados no yelds que elas deveriam ter. Weiss mede o Yeld médio histórico e aconselha investir em ações de companhias quando seu Yeld atingir a faixa subavaliada. Por exemplo, se uma companhia possui um dividend Yeld histórico de 2,5% e está pagando atualmente $4 em dividendos, a ação deveria estar sendo comercializada em torno dos $160. Qualquer um interessado em aprender mais sobre o método de investimento de Weiss orientado para a avaliação de dividendos deveria ler o livro “Dividends Don't Lie”. A forma mais simples de tirar vantagem de ações que estejam subavaliadas em termos de dividendos é empregando o Dow Dividend Approach, que você poderá aprender na seção "Fool's School" .

Avaliação baseada em assinantes

Às vezes uma companhia pode ser avaliada pelo número de assinantes, ou pela conta de seus clientes. A avaliação baseada em assinantes é mais comuns nas companhias de comunicação e mídia, que gerem renda mensal regular – como celulares, TV à cabo e outras companhias on-line. Normalmente, numa companhia que é avaliada pelo número de assinantes, os analistas calculam a média de suas receitas por assinante durante toda a vida da empresa e depois avaliam a companhia toda baseado nesse método. Se a AMERICA ONLINE (NYSE: AOL) possuísse hoje seis milhões de membros e cada um deles mantivesse sua assinatura por 30 meses, em média, gastando $20 por mês, a companhia valeria seis milhões vezes $20 vezes 30, ou seja, $3,6 bilhões. Esse tipo de avaliação é também empregado para TVs à cabo e companhias de telefonia celular. Por exemplo, a Continental Cablevision foi comprada por $2000 por assinante.

Outra forma de avaliar uma companhia em relação aos seus membros é baseada nas suas contas. Nos setores de saúde e informática, as companhias são adquiridas baseado nas contas que possuem. Essas aquisições normalmente ignoram lucros e vendas passadas da companhia, focando-se, ao invés disso, nos receitas adicionais que podem ser geradas através dessas novas contas. Embora avaliações baseadas em membros pareçam bastante confusas, sua mecânica é única dentro de cada indústria. Estudando a história das últimas maiores aquisições um investidor pode dizer como o modelo de avaliação por membros funcionou nas últimas fusões a poderá sugerir como elas poderão funcionar no futuro.

Fim!

Postar um comentário

Escolha bem suas próximas palavras! hehehe
Brincadeirinha!