BREAKING NEWS

quinta-feira, 15 de maio de 2008

O Medo

O texto abaixo foi postado por um amigo de Fórum e é voltado para a pilotagem de motocicletas, mas achei por bem colocá-lo aqui, pois muita coisa descrita nele, serve para a vida do investidor que por muitas vezes se vê em situações de pânico ou travado por medo.
O texto é longo, mas é bom!

"O MEDO é dentre todos o maior obstáculo que nós motociclistas podemos encontrar na tentativa de melhorar nossas habilidades, e ainda assim poucos o confrontam decisivamente.
Pra piorar, pouco se fala do assunto em revistas e livros, e este assunto também é negligenciado nas escolas de pilotagem mais difundidas.

Se há uma coisa que aprendi nos cinco anos em que ministrei minhas Clínicas de Pilotagem Avançada é que, ao se remover o medo da equação, as barreiras de aprendizado desaparecem. Afinal, qualquer um é capaz de seguir instruções passo-a-passo. É o medo o que impede o progresso dos alunos em seu propósito de aprimorar a forma como conduzem suas motos.

A Drª. Susan Jeffers, autora de “Sinta Medo e Faça Mesmo Assim”, afirma que todos os medos são alimentados pela sensação de que “não vou conseguir”. Se você tem medo de não conseguir lidar com algo, como entrar naquela curva 15km/h mais rápido do que de costume, seus “mecanismos de sobrevivência” lhe tornarão incapaz de ultrapassar essa barreira psicológica. Embora sua mente consciente queira girar o acelerador, sua mente inconsciente não permitirá que seu punho cumpra a tarefa. É uma situação frustrante para os condutores que querem melhorar suas habilidades com seriedade, mas que não têm consciência do que os está impedindo de progredir.

Inicialmente, deve-se ressaltar que o medo é de fato uma variável positiva. Devemos, contudo, aprender a trabalhar em conjunto com o medo em vez de contra ele, para que tenha boa influência em nossa condução. O medo é por certo necessário à sobrevivência. Se não sentíssemos medo de nada (como o de cair), acabaríamos morrendo ao fazer coisas estupidamente perigosas. Por exemplo, se eu tentasse obter o mesmo tempo de volta de Valentino Rossi eventualmente acabaria caindo, uma vez que não possuo seus necessários conhecimentos de pilotagem, nem tampouco a força e os reflexos equivalentes para desafiá-lo.

O medo pode aumentar o fluxo de adrenalina, o que causa aumento de força em situações de emergência. Você certamente já terá ouvido falar da história da senhora de idade que levantou um carro que prendia seu filho – ainda que ela tecnicamente não tivesse força suficiente para tanto. Mas o medo também pode ser o pior inimigo caso não se aprenda a controlá-lo. O excesso de medo tem o efeito de travar mesmo o mais experiente dos condutores.

Seu Limite de Medo

Todo motociclista possui o que alcunhei de “limite de medo”, o ponto a partir do qual o nível de medo impede que a mente do condutor consiga rocessar informações adicionais. Não é muito diferente de se tentar rodar um software de cálculos intensos em um computador obsoleto. Este conseguirá processar uma determinada quantia de cálculos por segundo; se lhe aplicarmos informações demais, rápido demais, é provável que acabe travando. Da mesma forma, se tentarmos conduzir uma motocicleta mais rápido do que nosso cérebro pode lidar com os dados sensoriais, podemos “travar”. E cair.

Certa vez, ao praticar motocross na pista particular de um amigo, fiquei face a face com essa realidade. Eis que ultrapassei de tal modo a margem do meu limite de medo que minha mente ativou seu “botão de reset” para que eu não tivesse que assistir ao que estava por acontecer.

Meu amigo Dave foi um daqueles afortunados garotos cujo pai lhe deixou construir sua própria pista de cross na fazenda da família. Uma vez, praticando nela com minha RM80, contornei uma curva rápido demais e senti que não conseguiria completar o salto seguinte com esta moto, devido à precariedade de sua suspensão; decidi então fazer um desvio pela lateral da rampa.
Infelizmente, percebi tarde demais que nesta “rota alternativa” havia uma vala profunda...

Conforme viria a descobrir mais tarde, em vez de providenciar carregamentos de terra para constuir as rampas da pista Dave obteve esse material simplesmente cavando valas ao lado de cada rampa.

Assim que percebi o que estava por vir, desmaiei em plena condução da moto. Minha mente literalmente se “desligou”, de modo a evitar que eu estivesse consciente durante a carnificina que chegava. Aparentemente, percebi que os próximos dois segundos seriam de grandes apuros, então entrei em “modo de espera” para me impedir de conscientemente experimentar o horror da cena.

Quando acordei, estava de cabeça para baixo dentro da vala, com uma forte dor-de-cabeça e com a moto tombada sobre mim. Não tinha absolutamente qualquer lembrança da queda.
Olhando para trás, vejo que foi melhor assim.

Freqüentemente, logo antes de cair ou bater os condutores dizem a si próprios: “–Acho que vou cair!”.
Sem dúvida, é exatamente o que acaba acontecendo. A regra aqui é: “quer você ache que vai, quer ache que não vai, você estará certo”. Em outras palavras, sua atitude diante da situação provoca o resultado.
O motivo? O poder da fé.

(Parênteses na tradução: alguém viu, na última volta desta última prova das 250cc (MotoGP da Turquia), o choque entre o De Angelis e o Barberá? Aquela recuperação do De Angelis ao evitar a queda, com as duas rodas no ar, corpo fora da moto e ainda por cima aterrissando de lado, foi uma demonstração de confiança, controle de medo e reflexos sobre-humanos!
Vi mas não acreditei. Nem os locutores!)

Continuando...

O Poder da Fé

O oposto de medo é confiança.
Confiança é um estado mental, uma atitude baseada em seu conhecimento e em sua fé. Conhecimento vem com a análise de suas experiências físicas e mentais.
Fé, neste contexto, não se refere a fervor religioso.
Fé é confiança em seu conhecimento.

Mike Baldwin, tetracampeão de Fórmula 1 da Associação Motociclística Americana (AMA), previu que Wayne Rainey seria um grande sucesso mesmo antes de Rainey partir para a Europa – onde acabou vencendo três campeonados mundiais. “–Eu nunca consegui me forçar a acreditar plenamente na adesão do pneu dianteiro”, diz Baldwin. “–Mas Wayne tinha o poder de, uma vez iniciada a corrida, simplesmente decidir acreditar, e pilotar como se o pneu jamais pudesse desgarrar.”
Tal nível de capacidade em acreditar vem da confiança. Falando de modo claro, Rainey tinha fé absoluta na adesão do pneu dianteiro.
E a fé é uma força poderosa no universo.

A melhor definição de fé que já ouvi me foi dita por uma de minhas recepcionistas. Ela disse que fé era “um poder da imaginação”. Se pensarmos sobre o assunto, faz perfeito sentido. Por meio da fé, milhões de pessoas em todo o mundo atingiram grandes propósitos (positivos ou negativos), ainda que tenham crenças diferentes e muitas vezes até opostas. Isso porque aquilo em que se acredita não é tão importante quanto o fato de que se acredita naquilo. O real poder de criação é a capacidade de sua mente em imaginar possibilidades.

Ao trabalhar com aceleradores de partículas em laboratórios de alta energia, físicos de mecânica quântica descobriram que é impossível observarmos fenômenos sub-atômicos sem de fato alterarmos o que está ocorrendo. Por incrível que pareça, não se pode observar algo – incluindo a si próprio e seu ambiente – sem que se crie uma nova realidade. E é por isso que os mais respeitados psicólogos desportivos enfatizam o uso de técnicas de visualização. Ao imaginarmos um evento em particular, estamos de fato criando a possibilidade de sua ocorrência.

Quanto mais forte sua crença, mais intensamente você afetará seu ambiente. Uma fé suficientemente forte na adesão de seu pneu certamente se manifestará na forma de adesão adicional. Isto não é coisa de contos-de-fadas. Por muitas vezes já verifiquei tal efeito na prática, e sei que isso me ajudou a vencer um Campeonato Nacional de Corrida em Estradas.
Inversamente, o medo intenso de perda de adesão pode provocar uma escapada de pneu. É por isso que todos os campeões de corridas tem tamanha confiança em suas habilidades. Não é questão de ego: é questão de sobrevivência!

Quantas vezes você já observou dois corredores em equipamentos e veículos idênticos contornarem a mesma curva na mesma velocidade, e no entanto só um deles sair da curva ou escorregar? (Rubinho? )
Algumas vezes isso é fruto de erro de um dos pilotos. Em outras, porém, tudo se resume na diferença entre seus níveis de confiança. Quanto mais fé se tem, mais confiante se será. Esta é uma das razões por que o motociclismo foi tantas vezes descrito como uma “experiência religiosa”.

Embora algumas pessoas tentem nos levar a crer que apenas um certo sistema de crenças realmente funciona, a história demonstra claramente que qualquer pessoa com fé suficiente em suas crenças pode ter enorme poder. Não importa se você atribui sua fé – ou seus resultados – a algo além de você. O resultado é o mesmo. Em outras palavras, não há boa fé, nem má fé: apenas mais fé e menos fé.
Mais é melhor.

Sem Problemas

Na obra “Tao Te Ching”, Lao Tzu diz que “aquele que não teme sempre estará seguro”. Há diversas interpretações para esta citação. Entretanto, no que diz respeito ao motociclismo, percebi que uma das interpretações possui significado bastante profundo. Podemos analisá-la por meio do que acontece quando uma moto começa a desgarrar.

Muitos motociclistas, vez ou outra, já desgarraram uma ou ambas as rodas. Isso geralmente ocorre nas acelerações de saída de curva, muitas vezes com piso molhado. Quando isso ocorre, qual é sua reação?
Um piloto de habilidades superiores simplesmente deixará o escorregão agir, como uma coisa que necessite mesmo estar acontecendo. Se você for capaz de manter a compostura, em geral a moto corrigirá seu curso como se nada fosse. É esta a função do cáster em um chassis – fazer com que a moto queira alinhar-se sempre que esteja desalinhada.

Contudo, nosso maior problema surge quando pensamos que o que está acontecendo não deveria estar acontecendo; ao encararmos isso como um problema, nos assustamos. E uma vez assustados, nosso corpo enrijece e nossa mente se sobrecarrega. Nessa situação, nos comportamos da mesma forma que um condutor iniciante, tornando-nos incapazes de processar todos os nossos sentidos. Perdemos a conexão com o ambiente externo e estamos focando nosso medo interior. A esta altura as chances de queda aumentam significativamente. Aprender a lidar com este cenário requer algumas práticas especiais.

Somente praticando pequenos deslizamentos laterais nos tornamos suficientemente confortáveis com esta situação de modo a não entrarmos em pânico quando isso acontecer. Como é perigoso praticar tal coisa nas ruas, especialmente em pesadas motos touring, a melhor proposta é praticar em uma moto on-off. Se puder se inscrever em um curso de enduro, on-off ou trilhas, tanto melhor.

Ao pilotar na terra você aprenderá que não há problema em a moto escorregar, e que pode-se deixar acontecer sem lutar contra isso. No fim das contas, uma vez escorregando não há o que fazer exceto “deixar rolar”. Assim, quando isso lhe ocorrer nas ruas, você estará capacitado a lidar com a questão sem ultrapassar seu limite de medo.

O Músculo de ação

Outra habilidade importante na guerra contra o medo é o que Tony Robbins chama de “o músculo de ação”. Pode-se explicá-lo como o momento em que a hesitação mental se transforma em ação física em face do medo. Por exemplo, durante toda a minha vida sempre fui cantor, e no entanto ainda tenho muito “pânico de palco” toda vez que tenho de cantar em público. Durante as Corridas Nacionais de Estradas de 1994, em Atlanta, fui solicitado a cantar o hino nacional diante de 24.000 pessoas. Ainda que já o tenha executado centenas de vezes para pequenas platéias, a grandeza do evento me deixou tão nervoso que minhas mãos trêmulas mal podiam segurar o microfone. E, embora quase paralisado pelo medo, fui capaz de fechar meus olhos, respirar profundamente, subir e concluir a apresentação assim mesmo. Minha experiência prévia assim permitiu.
Não foramo meus ensaios de canto que me prepararam, note-se bem, mas minha experiência de agir-sob-efeito-do-medo.

Ao longo de anos, condicionei-me a interpretar meu medo como um sinal de que era hora de agir. De fato, sou grato à adrenalina daquele momento, que foi o que me permitiu atingir as notas vocais mais profundas. Se não tivesse prática em agir sob efeito do medo, jamais teria tido a capacidade de controlar tamanho nervosismo.
Não há como enfatizar suficientemente a importância da prática.

A melhor maneira de assegurar que será capaz de agir certo em momentos de crise é ter consigo anos de prática. Sempre que você atinge seu limite de medo, seu corpo agirá da forma como está acostumado a agir nessas circunstâncias.
Em outras palavras: nos momentos difíceis, fazemos aquilo que sabemos fazer.

Ao interpretar o medo como um sinal para aumentar sua atenção, você poderá usar isso em proveito próprio. E ao aprender novas habilidades, o melhor é manter-se dentro de um nível sutil de medo, e se habituar a ele durante a condução. Dessa forma, quando o inesperado lhe tomar de surpresa, estará capacitado a lidar com isso sem que sua mente se desligue, em pânico.

A Coragem

Pessoas corajosas não são simplesmente aquelas que superam grandes quantias de medo. Em vez disso, corajosos são aqueles que elevam o nível a partir do qual o medo toma conta de suas mentes.
Por exemplo, Mick Doohan não poderia pilotar mais rápido que você caso experimentasse os mesmos medos que você ao pilotar no passo a que você está acostumado.
Além da destreza advinda da prática, a principal diferença da sua habilidade para a dele é simplesmente que os níveis em que ele sente tais medos são muito mais altos que os seus.
Assim que atingir seu próprio limite, ele não conseguirá superá-lo tanto quanto você não superaria os seus. A diferença é a disparidade entre seus níveis de medo."

Postar um comentário

Escolha bem suas próximas palavras! hehehe
Brincadeirinha!